quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

mefistófoles

agora flechas. raios suspensos na imensidão, caindo com toda pressa possível. cortes em minha pele, sangue molhando meus pés, encharcando o carpete que não existe. ossos a mostra. luz que me cega, tornando tudo opaco e sem vida. notas sem silêncios. vermes agarrados em meus dentes. uma língua afiada prestes a detonar seu próprio dono. nos dias de hoje sair de casa é como uma sentença barata e vulgar. cada noite uma vida e batalha perda. conto mortos pelo meu corpo para dormir. enforco meus sonhos para que eles não me iludam mais. sem ordem certa. os pés dançam. minhas mãos esfregam minha genital, um prazer seco, brutal e triste. dentes a mostra, mas falsos. falsos. tudo é falso e meus olhos aqui. meus pulmões negros e sem vida. costas se abrindo e doendo a cada centímetro. não sinto pena de mim. mas pena dessa vida. cabelos entupindo o ralo do banheiro. baratas pulando ao meu quarto, dividindo minha cama, beijando a sola de meu chinelo no meio da madrugada. socos involuntários. giros incontroláveis. gritos ao ar. todos os santos e mefistófoles se afastam de medo. uma alma se agride e se atira num buraco ao chão cheio de merda, chamem de vida se quiserem. milagres esquecidos. se eu não tivesse uma perna tudo seria diferente. um braço. uma arma. vendo minha Mente, meu pseudônimo, minha sombra, meus livros, meu nada e meu fígado. TrÊs ReAiS. Em troca dou todo o resto. Minhas leituras, piadas, sorrisos, exibicionismos, ereções, espirros, todos os textos. Qualquer coisa que eu faça agora e depois. em troca um motivo. um clarão. uma revolta. uma paixão. um sopro. um derrame. um AVC. qualquer coisa que me tire daqui. e me coloque num lugar melhor. mas você entende o que eu digo? estou caindo a meses. e quero um fim de uma vez.

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